A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) com início em 10/11, em Belém do Pará, marca um momento histórico: é a primeira vez que uma COP acontece na Amazônia, coração das discussões sobre biodiversidade, florestas e justiça climática.
Com mais de 70 mil participantes esperados, entre chefes de Estado, cientistas, lideranças indígenas, gestores e organizações civis, o evento simboliza a retomada do protagonismo brasileiro na agenda climática global, três décadas após a Rio-92, que estabeleceu as bases do atual regime internacional do clima.
Resumo Executivo
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) terá uma presença estratégica e multifacetada na COP30, consolidando-se como uma potência científica para o nexo saúde-clima. Com mais de 50 atividades diretas e indiretas, a instituição articula ciência, política e sociedade em três dimensões: contribuições temáticas, parcerias internacionais e iniciativas estratégicas. A atuação institucional em monitoramento climático, vigilância em saúde e implementação da abordagem “Uma Só Saúde”, auxilia o Brasil a se posicionar como protagonista nas discussões globais sobre adaptação climática do setor saúde.
Brasil, Amazônia e a geopolítica do clima
A COP30 acontece em um contexto de crise climática acelerada e de necessidade de revisão dos compromissos do Acordo de Paris. O Brasil, como país-sede, assume papel estratégico ao trazer o debate para o território amazônico — uma região que concentra cerca de 10% das emissões globais evitáveis e que abriga a maior biodiversidade do planeta.
Belém se transforma em palco global: são dois grandes espaços oficiais, a Zona Azul, sob credenciamento prévio, e a Zona Verde, aberta ao público, com programações paralelas de governos, universidades e organizações da sociedade civil.
Entre os destaques da Zona Azul estão os pavilhões da OMS, da Ciência, dos Oceanos e o Pavilhão Brasileiro, que concentram discussões técnicas e políticas. Já na Zona Verde, ocorrem atividades culturais, fóruns comunitários e debates sobre justiça ambiental.
Fiocruz: ciência, diplomacia e território
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição vinculada ao Ministério da Saúde, tem uma das maiores agendas científicas brasileiras na COP30, com mais de 50 participações oficiais entre eventos, painéis, oficinas, parcerias e ações territoriais.
A presença da Fiocruz representa uma potência científica e diplomática em um dos temas centrais do século: a interdependência entre saúde e clima.
Distribuída por nove unidades regionais e nacionais, a Fundação atua simultaneamente nos pavilhões internacionais e nas mobilizações locais da Cúpula dos Povos, reforçando sua capacidade de dialogar entre o campo científico, a governança global e as comunidades tradicionais.
Presença consolidada: mais de 50 ações oficiais
Segundo levantamento da programação consolidada (até o momento da matéria), a Fiocruz participa de 53 atividades ao longo da conferência:
- Eventos científicos: 12
- Mesas-redondas: 6
- Lançamentos de projetos/iniciativas: 7
- Parcerias internacionais: 8
- Atividades comunitárias: 5
- Painéis: 11
- Oficinas: 4

A Fundação também participa de três plenárias internacionais, coordena cinco painéis multilaterais e integra seis grupos estratégicos com OMS, OPAS, Unitaid, MCTI e redes latino-americanas.
13 de novembro: o Dia da Saúde na COP30
O Dia da Saúde (13/11) será um dos marcos da COP30 e concentra a maior presença institucional da Fiocruz.
A agenda do dia inclui, entre outros temas, mesas como:
- Futuro das Águas: soluções da nascente à foz. Planos de Ação e Governança para o Bem Viver.
- AdaptaSUS: Adaptação Climática do Setor Saúde
- Lançamento do Mapeamento de Patógenos
Oceano de Encontros, Mar de Soluções: Justiça Climática, Patrimônio biocultural e Diálogo de Saberes para Governança Costeira e Marinha através da Ciência Cidadã
Pesquisa de Vigilância Popular e Emergência Climática – Selecionada pela Universidade de Singapura para a biblioteca da Aliança do Clima e Saúde (ATTACH/OMS)
A Fiocruz ainda coordena o painel “Saúde e Clima Amazônia – Tecnologias Sociais e de Adaptação em Comunidades Tradicionais”, em parceria com o Projeto Saúde e Alegria, reforçando a dimensão amazônica das políticas de adaptação. Assim como da Marcha pela Saúde e Clima com as comunidades locais e outros atores nacionais e internacionais.
Do território à governança global
A Fiocruz leva à COP30 uma concepção inovadora de ação climática: a saúde como eixo transversal da governança ambiental e da justiça social.
No Pavilhão da OMS, a instituição participa do painel “Infectious Diseases in a Changing Climate”, ao lado de GAVI, DNDi, PAHO e Unitaid. No Pavilhão da Ciência, apresenta a Plataforma Cidacs Climate, que integra dados de saúde e ambiente em tempo real.
Ao mesmo tempo, no campo amazônico, realiza oficinas com comunidades tradicionais, atividades como a Barqueata da Saúde, e o evento “Oceano de Encontros, Mar de Soluções”, conectando saberes indígenas, quilombolas e científicos.

Diplomacia científica brasileira em ação
Durante a COP30, a Fiocruz firma memorandos de entendimento com o Instituto Nacional do Oceano (INPO) e com a Organização dos Povos Indígenas do Rio de Janeiro (OPIRJ), fortalecendo a agenda de Uma Só Saúde Azul e de cooperação intercultural.
A Fundação também é coautora do livro “Mudanças Climáticas no Brasil: Estado da Arte e Fronteira do Conhecimento”, publicado pelo MCTI, e participa de painéis ligados ao Plano Nacional de Saúde e Clima, consolidando sua posição como elo entre ciência, política e diplomacia.
A Fundação inova e integra diferentes áreas que conectam políticas públicas, pesquisa e práticas locais:
- Monitoramento climático: 6
- Vigilância em saúde: 7
- Plataformas digitais: 4
- Equidade territorial: 9
- Uma Só Saúde: 8
- Políticas públicas: 5
- Educação ambiental: 3
- Inovação e tecnologia: 6

Um marco para a ciência brasileira
A presença da Fiocruz na COP30 simboliza a maturidade da ciência brasileira frente à emergência climática global. Sua atuação combina produção de evidências, defesa de políticas públicas e compromisso territorial — um tripé que une o conhecimento científico à responsabilidade social.
Trinta e dois anos após a Rio-92, a Fiocruz reafirma o papel do Brasil como laboratório global de soluções sustentáveis, mostrando que sem saúde, não há clima possível — e sem justiça ambiental, não há futuro comum.
Nota editorial
Gráficos baseados na consolidação dos documentos fornecidos: Agenda Fiocruz na COP30. Valores são contagens diretas das atividades listadas. Para mais informações, recomendamos a checagem final de horários e credenciais com a assessoria institucional.
