Fiocruz consolida estratégia que posiciona saúde no centro da agenda climática global no ano da COP30

Castelo mourisco iluminado a noite

“Ao longo de 2025, a Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030) estruturou uma agenda contínua de articulação política, produção de conhecimento, cooperação internacional e comunicação científica, reforçando o papel da saúde como eixo estruturante da resposta à crise climática”.

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Em um ano decisivo para a governança climática global, marcado pela realização da COP30 no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) intensificou sua atuação institucional por meio da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030), consolidando-se como uma das principais referências nacionais na interface entre saúde, clima e desenvolvimento sustentável. Ao longo de 2025, a EFA coordenou uma agenda contínua de ações que articularam ciência, políticas públicas, cooperação internacional, territórios e comunicação estratégica, com foco na centralidade da saúde nos debates climáticos.

Desde o início do ano, a EFA passou por um processo de reorganização interna e reposicionamento político, em resposta ao acúmulo de evidências científicas sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde humana, nos sistemas de saúde e nas desigualdades sociais. A Fiocruz partiu do entendimento de que a crise climática não é apenas um desafio ambiental, mas um fator estruturante de riscos sanitários, sociais e econômicos, exigindo respostas integradas e intersetoriais.

Planejamento estratégico e fortalecimento institucional

O primeiro trimestre de 2025 foi marcado pela consolidação do planejamento estratégico da EFA 2030, com oficinas internas, definição de prioridades e alinhamento de narrativas institucionais. A estratégia buscou evitar a fragmentação de iniciativas e reforçar a atuação coordenada da Fiocruz em espaços nacionais e internacionais, especialmente aqueles relacionados à preparação da COP30.

A participação da EFA em instâncias técnicas, como a Câmara Técnica de Saúde e Ambiente, e em espaços de governança da Agenda 2030, como a Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ampliou a capacidade de incidência da Fundação na formulação de políticas públicas. Nessas agendas, a Fiocruz defendeu a incorporação sistemática da saúde como eixo transversal das políticas climáticas, destacando temas como vigilância em saúde ambiental, eventos extremos, doenças infecciosas emergentes e justiça climática.

Territórios, povos tradicionais e justiça socioambiental

Ao longo do ano, a Estratégia também aprofundou sua atuação em agendas territoriais, com destaque para a Amazônia e para regiões historicamente impactadas por desigualdades socioambientais. A participação no projeto do Centro de Referência dos Povos do Alto Juruá, por exemplo, reforçou o compromisso da Fiocruz com a valorização dos saberes tradicionais e com a construção de respostas sanitárias contextualizadas às realidades locais.

Essas iniciativas dialogam com uma compreensão ampliada de saúde, que reconhece a relação direta entre degradação ambiental, vulnerabilidade social e adoecimento das populações. Para a EFA, enfrentar a crise climática passa necessariamente pelo fortalecimento dos territórios, pela escuta ativa das comunidades e pela construção de políticas públicas sensíveis às especificidades regionais.

A mobilização social da Fiocruz ganhou ainda maior visibilidade em eventos de grande alcance nacional, como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) e a Rio Ocean Week, ambas realizadas em outubro. Na SNCT, a Fundação destacou a abordagem de Uma Só Saúde Azul, conectando oceanos, clima e saúde humana, e ampliando o diálogo com estudantes, pesquisadores e a sociedade civil. Já na Rio Ocean Week, a Fiocruz apresentou suas iniciativas em saúde ambiental marinha, governança dos oceanos e territórios costeiros, reforçando o papel estratégico do Brasil na agenda do ODS 14. Esses espaços funcionaram como plataformas de tradução do conhecimento científico para públicos mais amplos, fortalecendo a percepção da saúde como dimensão central das políticas climáticas. Além de mais um dos legados da COP30, a assinatura do Memorando de Entendimento (MdE) Fiocruz/Inpo para a saúde dos oceanos.

Cooperação científica e inserção internacional

A agenda internacional foi um dos pilares da atuação da Estratégia em 2025. Reuniões com instituições como a Wellcome Trust e universidades estrangeiras, além da participação em fóruns multilaterais, reforçaram a inserção da Fiocruz em redes globais de ciência e saúde.

Eventos como o United Nations Science, Technology and Innovation Forum (UN STI Forum), o High-level Political Forum on Sustainable Development (HLPF) da ONU e a Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC), realizada em Nice, colocaram a Fiocruz no centro de debates estratégicos sobre inovação, financiamento científico e respostas globais à crise climática.

Na UNOC, a Fundação teve papel ativo na consolidação da abordagem “Uma Só Saúde Azul”, que integra saúde humana, saúde animal, saúde dos oceanos e sistemas costeiros. A agenda incluiu o lançamento da Ocean Quest Initiative e o anúncio de novos fundos internacionais voltados à pesquisa em oceanos profundos (deep oceans), temas considerados estratégicos para o Brasil e para países do Sul Global.

EFA 2030 teve papel central na organização e curadoria científica das atividades de saúde na Expo Osaka 2025, reconhecida como o maior evento global de diplomacia, inovação e cooperação internacional a décadas, reunindo países, organismos multilaterais, setor produtivo e sociedade civil em torno dos grandes desafios do século XXI. Em articulação estratégica com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a EFA coordenou e organizou um evento de Saúde e Bem-Estar, suas conexões com o clima dando ênfase a abordagem de Uma Só Saúde, estruturando conteúdos que posicionam o Brasil como referência internacional na integração entre saúde, clima e desenvolvimento sustentável. Uma das mesas, intitulada “Mudança climática e saúde: o maior desafio do nosso tempo” consolidou essa abordagem ao apresentar evidências científicas globais sobre os impactos climáticos na saúde humana, com participação de especialistas da OMS e do Lancet Countdown. Como desdobramento dessa agenda, a delegação da EFA realizou uma visita técnica ao National Institute for Environmental Studies (NIES), no Japão, fortalecendo o intercâmbio científico em áreas como monitoramento ambiental, saúde pública, modelagem climática e integração de dados, ampliando as bases para cooperação internacional em pesquisa aplicada e políticas públicas orientadas por evidências.

No plano internacional, a atuação da EFA 2030 ganhou ainda mais densidade política durante a 8ª Conferência Global de Tecnologia Sustentável e Inovação (G-STIC 2025), realizada em Pretória, África do Sul, onde a Estratégia foi responsável pela coordenação do eixo de saúde. Nesse espaço de alto nível, que reúne governos, sistema ONU, fundações filantrópicas e lideranças científicas globais, a EFA levou ao centro do debate a afirmação de que “a crise climática é uma crise de saúde”, articulando evidências científicas, justiça social e inovação tecnológica como bases para a ação pública. A participação incluiu plenárias de grande audiência, reuniões estratégicas com atores como a Rockefeller Foundation, a Ocean Quest Initiative e lideranças globais da saúde, reforçando a necessidade de incorporar a saúde como eixo estruturante das respostas climáticas. Ao posicionar a saúde não como consequência, mas como dimensão central da crise climática, a EFA consolidou seu papel como referência internacional na construção de narrativas, políticas e soluções integradas para a Agenda 2030.

Criado por IA e redesenhado por Vinicius Ameixa

Comunicação científica e incidência pública

Um dos marcos institucionais de 2025 foi o fortalecimento da comunicação estratégica da EFA 2030. Em abril, foi lançada a Editoria Científica da Estratégia, com o objetivo de sistematizar e qualificar a divulgação de evidências científicas relacionadas a clima e saúde. Em julho, a Fiocruz avançou ainda mais com a criação do Núcleo de Comunicação Social da EFA, estruturando de forma permanente a produção de conteúdos, coberturas jornalísticas e estratégias de incidência pública.

A iniciativa responde à crescente demanda por informações qualificadas em um cenário marcado pela desinformação climática e por disputas narrativas em torno das políticas ambientais e de saúde. Para a Fiocruz, comunicar ciência passou a ser entendido como parte indissociável da formulação de políticas públicas e da defesa do direito à saúde.

IV Fórum TERRA 2030, realizado em maio, consolidou-se como um dos principais espaços de convergência entre comunicação, ciência e políticas públicas no âmbito da Agenda 2030. Promovido em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e com o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), o fórum ampliou o debate sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde, nas desigualdades sociais e nos direitos reprodutivos, com especial atenção às populações mais vulnerabilizadas. 

Nesse mesmo eixo, a comunicação institucional da EFA ganhou densidade política ao longo de 2025, culminando, em setembro, no lançamento do Boletim ECOS do Futuro, publicação periódica produzida pelo Núcleo de Comunicação Social da Estratégia. O boletim foi concebido como uma ferramenta de síntese, análise e incidência, voltada à articulação entre ciência, políticas públicas e ação coletiva. Ao reunir dados, análises críticas e informações qualificadas sobre clima, saúde e desenvolvimento sustentável, o ECOS do Futuro passou a desempenhar papel estratégico na consolidação da EFA como referência nacional no debate da Agenda 2030. A iniciativa também reforçou o compromisso da Fiocruz com a transparência, a democratização do conhecimento e o fortalecimento do debate público em um contexto de crescente polarização e disputa de narrativas.

Pré-COP30 e agendas nacionais

Nos meses que antecederam a COP30, a Estratégia intensificou sua presença em eventos nacionais e internacionais, como o Encontro Internacional Clima e Saúde, organizado pelo Ministério da Saúde, seminários sobre Cerrado, saúde indígena, vigilância popular em saúde e encontros científicos voltados à sustentabilidade.

Essas agendas consolidaram a Fiocruz como uma das principais vozes técnicas e políticas no debate nacional sobre clima e saúde, contribuindo para a construção de posicionamentos brasileiros em fóruns multilaterais e para o diálogo com governos, sociedade civil e organismos internacionais.

COP30 e legado institucional

Durante todo o mês de novembro, a atuação da EFA 2030 esteve fortemente concentrada na COP30, com ações de articulação política, produção de conteúdo, participação em eventos paralelos e diálogo com delegações internacionais. A Estratégia atuou como eixo estruturante da presença da Fiocruz no evento, reforçando a defesa de uma agenda climática que reconheça a saúde como dimensão central da ação climática global.

Os legados institucionais da atuação da Fiocruz no contexto da COP30 também se materializaram em ações estruturantes ao longo do ano. A articulação com a Organização dos Povos Indígenas do Rio de Janeiro (OPIRJ) resultou na assinatura de um Memorando de Entendimento (MdE) durante a Conferência, reafirmando o compromisso da instituição com os direitos indígenas, a saúde intercultural e a proteção dos territórios. A agenda no corredor rios, voltada às tecnologias sociais e à saúde territorial na Amazônia, reforçou a dimensão prática das soluções discutidas nos fóruns internacionais. Por fim, o Centro de Clima e Saúde de Rondônia (CCSRO), lançado em dezembro, consolidou-se como um dos principais legados da COP30 para a Fiocruz, materializando no território amazônico a integração entre ciência, políticas públicas, cooperação institucional e justiça socioambiental.

Fotos dos diversos eventos da EFA 2030 em 2025

Ao longo do ano, a Fiocruz reafirmou seu papel histórico como instituição pública comprometida com a vida, a ciência e a justiça social, posicionando a saúde no centro das respostas à maior crise global do século XXI.