Cobrindo 71% do planeta e com uma profundidade média de 4 mil metros, os Oceanos da Terra continuam a ser um campo vasto para novos estudos e descobertas. Este imenso ambiente submerso, o oceano global, oferece uma miríade de habitats que abrigam uma imensa diversidade biológica, em boa parte ainda desconhecida da humanidade. Da interação da biota marinha com elementos presentes na água e na crosta oceânica e da dinâmica do oceano com a atmosfera se dão processos de importância global que moldam as condições que favorecem a própria vida no planeta.

Vivemos numa era marcada por uma crise planetária tripla: mudanças climáticas aceleradas, perda de biodiversidade e poluição ambiental/separação entre natureza e sociedades humanas. Esses fenômenos não são distantes ou abstratos — afetam diretamente a saúde humana.

No Brasil, essas rupturas são especialmente agudas no contexto costeiro e marinho. Nossa costa se estende por cerca de 7.367 km (contando ilhas e arquipélagos), atravessando ecossistemas diversos como manguezais, recifes de corais, restingas, grandes estuários e plataformas oceânicas. A biodiversidade marinha brasileira é vasta, incluindo milhares de espécies – muitas ainda pouco conhecidas, especialmente no oceano profundo.

 
Segundo pesquisas da Fiocruz e parceiros, cerca de 36 % das espécies da fauna global descritas estão sob ameaça de extinção — o que inclui muitos organismos marinhos sensíveis à mudança ambiental.

O oceano é o pulmão azul do planeta. Cuidar dele é cuidar de nós. A Fiocruz reafirma, na Rio OceanWeek, seu compromisso com uma ciência transdisciplinar, participativa e transformadora, que conecta Saúde, Clima e Sustentabilidade — pilares da Agenda 2030 e de um futuro saudável para todos

FIOANTAR - PROGRAMA ANTÁRTICO DA FIOCRUZ

Dentro da esfera da saúde planetária, a Fiocruz também atua no extremo sul, por meio do programa FioAntar. A iniciativa integra o Programa Antártico Brasileiro (Proantar), sob a coordenação da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm), da Marinha do Brasil e articula pesquisas na Antártica, incluindo vigilância epidemiológica e sanitária associada ao ecossistema polar, riscos ambientais, interações biológicas e potenciais implicações para a saúde humana. Em tais ambientes extremos, há riscos específicos (radiação UV, contaminação por microplásticos, mudanças climáticas abruptas) que têm implicações globais.

Ao conectar regiões polares ao sistema de saúde nacional e ao arcabouço de vigilância ambiental, a Fiocruz ajuda a projetar uma visão global da saúde planetária — afinal, mudanças no Ártico ou na Antártica repercutem nos oceanos, nos ciclos climáticos e, por consequência, na saúde humana

SISS-Geo (Sistema de informação em Saúde Silvestre)

Plataforma de monitoramento participativo da fauna silvestre da FIocruz, que registra em celulares  observações georrefenciadas e gera alerta de doenças, especialmente aquelas com potencial de atendimento humano, possibilitando ações de vigilância em saúde.

O SISS-Geo foi desenvolvido com base na ciência cidadã e é usado por comunidades tradicionais, indígenas, rurais e urbanas, órgãos públicos e privados de saúde, ambiente, ONGs e voluntariado em localidades remotas do Brasil. Apoia estratégias de controle de arboviroses e zoonoses do Ministério da Saúde e promove, ainda, troca de saberes e boas práticas para a melhoria da qualidade de vida, da saúde e da conservação da biodiversidade.

QUANTO VALE O AZUL?

Documentário que mergulha no universo da Economia Azul sustentável, revelando como o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental pode transformar vidas.

Ricardo Gomes - Diretor do filme

O filme apresenta histórias de cientistas, pescadores artesanais e amantes do oceano, destacando iniciativas inovadoras que unem tradição e tecnologia para garantir um futuro sustentável. O documentário mostra como a Economia Azul pode gerar novas oportunidades para o Rio de Janeiro, impulsionando setores como o turismo ecológico, a biotecnologia marinha, a restauração de ecossistemas e a pesca responsável. Da recuperação de manguezais à criação de empregos sustentáveis, o filme ilustra como a inovação e o conhecimento científico estão sendo aplicados para equilibrar progresso e conservação.