Oficina da Fiocruz Brasília para conteúdos em áudio reforça comunicação comunitária

Por Fiorenza Cadore (CTIS/Fiocruz Brasília)

A formação foi realizada no início deste mês, e ainda contou com debate sobre desinformação, inclusive em relação às fake news

Nos dias 3 e 4 de fevereiro, a Fiocruz Brasília sediou a 1ª Oficina Vozes do SUS, formação em comunicação sonora voltada ao fortalecimento da participação popular em saúde e ao estímulo de estratégias de comunicação comunitária.

Ao longo de dois dias, os participantes mergulharam em atividades práticas sobre produção, edição e roteirização de conteúdos em áudio, com orientações para criação de rádios comunitárias, rádios web e podcasts, além de debates sobre o enfrentamento à desinformação e às fake news na área da saúde.

A oficina partiu do reconhecimento de que a comunicação em saúde é um valor democrático e um direito da população. Em um cenário marcado pela circulação de informações falsas, o rádio segue como meio acessível, de grande capilaridade e forte presença nas comunidades, especialmente onde o acesso à internet é limitado.

Durante a formação, foram discutidas estratégias para fortalecer o uso do rádio comunitário como instrumento de organização social, promoção do direito à saúde e consolidação da democracia. Apesar dos avanços tecnológicos e da legislação que permite a instalação de emissoras locais, ainda há mais de mil municípios brasileiros sem rádios comunitárias. Ao mesmo tempo, o crescimento do consumo de podcasts evidencia o potencial dos formatos sonoros como estratégia de comunicação pública.

Como resultado direto da formação, dois podcasts foram produzidos coletivamente, colocando em prática os conhecimentos trabalhados em sala. Os grupos participaram de todas as etapas do processo — definição de pauta, construção de roteiro, gravação, operação de equipamentos e edição — experimentando o áudio como ferramenta de mobilização social e expressão comunitária.

O rádio e as mídias sonoras permanecem como meios acessíveis, democráticos e de grande alcance. Por isso, ocupam papel estratégico na defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), na circulação de informações confiáveis e no fortalecimento do controle social.

Além da capacitação técnica, a oficina promoveu trocas de experiências entre comunicadores populares, lideranças e trabalhadores da saúde, incentivando a criação de redes colaborativas de comunicação nos territórios. A proposta integrou formação política e prática, ampliando a autonomia das comunidades para produzir narrativas próprias sobre saúde pública.

Diante da carência de infraestrutura e de oportunidades de formação em muitos locais, a iniciativa buscou reduzir essas lacunas, fortalecendo lideranças e iniciativas locais. A produção dos podcasts simboliza esse avanço: mais vozes preparadas para informar, mobilizar e defender o direito à saúde.

A expectativa é que cada participante atue como multiplicador, promovendo oficinas semelhantes em seus estados e municípios.