Imagem extraída de vídeo de 2025 da Cogic / Fiocruz sobre conquista do selo I-REC de energia renovável
Com o apoio da Cogic, que está prestes a fazer 40 anos, a Fiocruz investe na sua infraestutura em consonância com a Agenda 2030
O empenho da Fiocruz para conseguir ao máximo energia renovável, com impactos diretos na redução do consumo de recursos naturais e na melhoria do conforto térmico e ambiental para os usuários, tem em seu pilar o trabalho desenvolvido pela Coordenação-Geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic) / Fiocruz, de acordo com a consciência ambiental e as diretrizes da Agenda 2030 em seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 7) – Energia limpa e Acessível e ODS 13 – Ação contra a mudança global do clima.
Em 2024, quando ingressou no Mercado Livre de Energia, por exemplo, a Fiocruz evitou a emissão em torno de 7 mil toneladas de carbono (tCO2), o que equivale a retirar cinco carros da rua por um ano ou plantar 50 mil árvores que absorveriam carbono ao longo de duas décadas. Logo no primeiro semestre de 2024, houve economia superior a R$ 60 milhões. A redução estimada de tCO2 em 2025 é de 7.806,86, e a economia acumulada em 2024 e 2025 de acima de R$ 79,5 milhões.
A migração para o Mercado Livre de Energia, projetos de construção com certificação internacional ambiental, modernização de sua antiga infraestrutura com foco em sustentabilidade e eficiência operacional, e o esforço da instituição em padronizar requisitos técnicos ecológicos para todas as suas unidades regionais estão entre esses avanços ambientais e sustentáveis com atuação da Cogic / Fiocruz.
Dessa forma, a Fiocruz desenvolve dentro do ODS 7 as seguintes metas: 7.1 – Assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia; 7.2 – Manter elevada a participação de energias renováveis na matriz energética nacional; 7.3 – Aumentar a taxa de melhoria da eficiência energética da economia brasileira; 7.b – Expandir a infraestrutura e modernizar a tecnologia para o fornecimento de serviços de energia modernos e sustentáveis para todos. Quanto ao ODS 13, proporciona diretamente duas metas: 13.1 -Ampliar a resiliência e a capacidade adaptativa a riscos e impactos resultantes da mudança do clima e a desastres naturais; 13.2 – Integrar a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) às políticas, estratégias e planejamentos nacionais.
Chegar aos 40 anos renovada
Com 40 anos de existência a serem completados no próximo dia 7, a Cogic / Fiocruz tem demonstrado a sua evolução rumo à sustentabilidade e à gestão ambiental, com a integração de diretrizes nacionais, compromissos internacionais e inovações tecnológicas voltados para o desenvolvimento sustentável. Trabalho que tem tido reflexos no exterior, a ponto de em julho de 2025, a Fiocruz receber o selo I-REC (International Renewable Energy Certificate), por, de abril a dezembro de 2024, utilizar energia elétrica proveniente, exclusivamente, de fontes renováveis, como eólica e solar. Contribui assim para a redução de gases de efeito estufa, especialmente o dióxido de carbono, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.
A base para as ações em meio ambiente e sustentabilidade da Cogic / Fiocruz vem do Plano de Logística Sustentável (PLS) do Governo Federal, ferramenta que orienta como órgãos e entidades públicas gerenciam suas compras e a logística. No PLS, o órgão ou a entidade define estratégias, objetivos e ações para contratar e para operar com sustentabilidade nas dimensões econômica, social, ambiental e cultural.
Antes de se tornar coordenação, recordou Ana Beatriz Cuzzatti, coordenadora-geral da Cogic / Fiocruz, o núcleo de ambiente da unidade era isolado, e por meio da Cogic passou a atuar de forma conjugada com outros, como o de eficiência energética, e tendo mais sinergia para cuidar do ambiente construído em sua integralidade: planejar, manter e reformar dentro do Plano 2025-2028. A criação da Coordenação ocorreu em 2017, de acordo com o Decreto n° 8.932, de 14 de dezembro de 2016. “A Cogic passou a ter papel consultivo e estratégico de orientar a Fiocruz a nível nacional”, acentuou.
Isso, conforme Cuzzatti, foi decorrente de uma releitura importante da presidência da instituição que deixou claras duas naturezas no que faz: serviços operacionais quase integrais no Rio de Janeiro, e um eixo de engenharia. Indagada sobre o que representam os quase 40 anos da Cogic / Fiocruz, ela respondeu: “É um trabalho muito responsável e robusto no qual buscamos fazer a integração e uma sinergia daquilo que é a nossa competência. (…) Acho que a nossa grande contribuição para a Fiocruz é termos processos que efetivamente são sustentáveis. (…) “Podemos trazer modelos e referências em virtude de como nós temos feito hoje”, disse Cuzzatti.

Ana Cuzzati, coordenadora-geral da Codig / Fiocruz
Ousada meta de economia de energia
A meta da Fiocruz de utilizar 100% – cerca de 48 mil toneladas de CO2 por ano (tCO2) – de sua energia provenientes de fontes alternativas, como as solar e eólica, tem sido seguida à risca pela Cogic. Essa unidade realizou o processo de migração do mercado regulado (concessionárias) para o Mercado Livre de Energia – nele o consumidor pode optar pelo fornecedor que oferece melhor serviço e preço – em abril de 2024, gerando grande impacto ambiental e financeiro.
Locais beneficiados e os próximos a serem contemplados com energia renovável
- Campus Fiocruz Mata Atlântica – RJ – 01/04/2024
- Campus CRPHF Professor Hélio Fraga – RJ – 01/04/2024
- Instituto Fernandes Figueira – RJ – 01/04/2024
- Campus Manguinhos – Maré – RJ – 01/04/2024
- Fiocruz Regional Eusébio – CE – 01/09/2024
- Instituto de Tecnologia em Fármacos Farmanguinhos – RJ – 01/10/2024
- Fiocruz Regional Manaus – AM – 01/11/2024
- Fiocruz Regional Brasília – DF – 01/02/2025
- Fiocruz Regional Salvador – BA – 01/04/2025
- Fiocruz Regional Belo Horizonte – MG – 01/04/2025
- Fiocruz Mato Grosso do Sul – MS – 01/05/2026
- Fiocruz Rondônia – 01/05/2026
Construções e reformas precisas
O uso estratégico da metodologia BIM (Modelagem da Informação da Construção) para integrar o planejamento, a execução e a manutenção de edifícios complexos tem evoluído. Iniciou-se na Fiocruz Minas Gerais, em 2014, e também foi implantada em lugares como o Centro Hospitalar do Instituto Nacional de Infectologia (INI), em Manguinhos, zona norte do Rio – ainda não eficiente energeticamente devido à urgência de como foi implantado, no Centro de Pesquisa, Inovação e Vigilância em Covid-19 e Emergências Sanitárias (CPIVCES), situado no Campus Manguinhos Maré, onde possui as duas edificações mais modernas modeladas em BIM, e centros de pesquisa. O BIM consiste em modelo digital que reúne todas as informações de um empreendimento em único ambiente integrado, e incorpora dados estruturais, financeiros, operacionais e temporais. Sua estrutura permite simulações mais precisas e antecipação de problemas, inclusive de impactos ambientais.

A fundação ocupa cadeira de assessoria técnica na Estratégia Nacional de Disseminação do BIM BR do Governo Federal, contribuindo para tornar menos artesanal a construção civil, padronizá-la e deixá-la menos poluente, com redução do emprego de cimento, por exemplo. Em 2025, a Cogic / Fiocruz recebeu menção honrosa na categoria Contratante Público do Prêmio BIM Fórum Brasil 2024, em 22 de maio, durante o BIM Fórum Conference, em São Paulo — um dos principais eventos de inovação na construção civil do país. Isso por causa da obra de alta complexidade do CPIVCES, concluída em tempo recorde num espaço de 12 mil metros quadrados. Segundo Cuzzatti, o BIM requer muito tempo para a implantação devido à complexidade e necessidade de todas as integrações.
Ambientes bem tratados
A unidade recebeu duas certificações francesas da construção de alta qualidade ambiental denominada AQUA-HQE, uma das mais importantes certificações ambientais, que reconhece empreendimentos sustentáveis em todo o ciclo construtivo, do projeto à operação. Primeiro, para os critérios do projeto do Polo Industrial e Tecnológico de Saúde (PITS) na cidade de Eusébio (CE), idealizado para ser um espaço voltado ao ensino e pesquisa, em outubro de 2018, e cuja a obra ainda não foi concluída, e, em novembro de 2025, para o projeto da nova sede da Fiocruz Amazônia. Entre os diferenciais desse projeto estão o uso inteligente da iluminação natural, sensores de presença, automação predial, vidros de alta performance, painéis de sombreamento nas fachadas, bicicletário e sistemas de climatização de baixo consumo.
Economia de água
Na gestão hídrica, um projeto piloto na Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio utilizou dispositivos de IoT (Internet das Coisas) – revolução tecnológica que permite a conexão de dispositivos físicos à internet, possibilitando a coleta e troca de dados para monitoramento –, que resultou em redução significativa no consumo de água. O projeto teve início no segundo semestre de 2023 com ações até o primeiro semestre de 2024.
No Campus de Manguinhos, o projeto do Centro Integrado de Tecnologias Sustentáveis (Cities) visa transformar a gestão de saneamento e compostagem em um espaço educativo. O objetivo é requalificar a estação de tratamento para focar no reuso de água e incluir o local no circuito de visitação oficial da Fiocruz, apresentando soluções sustentáveis em uma construção que já nascerá com premissas “verdes”. O projeto ainda está em fase de finalização e ainda não houve licitação para iniciar a construção.

Imagem do projeto do Cities da Cogic / Fiocruz
Pequeno histórico da Cogic
Em 1986, Sérgio Arouca, então presidente da Fiocruz, efetivou a ideia de que a infraestrutura é fundamental para a pesquisa e atendimento em saúde com a criação da Unidade de Engenharia de Apoio à Saúde (UEAS). A UEAS passou a ser, no mesmo ano, Prefeitura do Campus, e em 1992, essa se tornou Diretoria de Administração do Campus (Dirac), com o qual os serviços ficaram mais centralizados. Em 2017, ocorreram mudanças de nomenclaturas de unidades que abrangeram a Dirac e outras diretorias, surgindo a Coordenação-Geral de Infraestrutura dos Campi (Cogic)

Sede da Cogic / Fiocruz, no Campus Manguinhos
A Cogic é responsável pelo gerenciamento do espaço físico da Fiocruz – mais de 800 mil m2 de área no bairro de Manguinhos. E está presente em todas as atividades da instituição, prestando desde serviços básicos, como jardinagem, limpeza, controle de pragas e vetores, até executando obras, manutenção civil e de equipamentos, serviços de ponta, segurança, compostagem, reciclagem e educação ambiental. Cerca de dois mil e seiscentos profissionais especializados trabalham para oferecer as condições necessárias para o desenvolvimento das atividades.
Além do Campus de Manguinhos, a Cogic atua em todos os campi da Fundação no Rio de Janeiro, em Brasília, Mato Grosso do Sul e Ceará. Nos Centros de Pesquisa que ficam em Minas Gerais, Amazonas, Pernambuco, Bahia, Paraná e Rondônia, é responsável pela área de projetos de engenharia e segurança eletrônica.

