Por Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz
Ocorre no próximo domingo (12/4) a conferência Favela, Vida e Direitos. Essa agenda é a culminância de um ciclo de encontros preparatórios, que ocorreu no mês de março, estruturado para qualificar mobilizadores locais na formulação de propostas executáveis, fundamentadas na realidade das favelas do Rio de Janeiro, que vão resultar em incidência política e junto ao poder público. O evento acontece, das 8h às 18h30, no Auditório Horta Barbosa (Bloco A do Centro de Tecnologia) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cidade Universitária.
Participam ativamente desse processo integrantes de três projetos (Cria Saúde, Plantando Saúde e Impulso de Gerações), desenvolvidos pela Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz enquanto parte do Programa Favelas e Periferias pelo Direito à Vida, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), o Laboratório de Educação Profissional em Vigilância em Saúde (Lavsa) da Escola Politénicia de Saúde (EPSJV/Fiocruz), o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), a Assessoria de Gestão Social do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) e o Instituto BR.
Exercício de participação social
As ações do projeto envolvem um total de 550 moradores de territórios populares do estado do Rio de Janeiro como Jacarezinho, Rio das Pedras, Magé, Maré, São João de Meriti, Cidade de Deus, Rocinha, Duque de Caxias, Complexo do Alemão, Guapimirim, Nova Iguaçu e Manguinhos. Coordenador do projeto na Fiocruz, André Lima destaca que “o processo de conferência nasceu nos debates temáticos realizados nesses territórios e se mostrou uma oportunidade para os agentes envolvidos experimentarem a dinâmica real do que ocorre para a aprovação das propostas nas conferências oficiais”.
“A participação social é um princípio fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS)”, reforça o porta-voz do Instituto BR, Vinícius Wu. “O exercício que nós propomos com a realização dessa agenda, se ancora no desejo de que a população atue na formulação, fiscalização e avaliação das políticas de saúde, entendendo que a dinâmica das conferências ou dos conselhos permanentes, por exemplo, está diretamente conectadas com o que é vivenciado nos seus territórios”.
Os Grupos de Trabalho (GTs), montados durante as pré-conferências para aprofundar discussões temáticas, basearam-se em diagnósticos locais e na formulação de soluções para os territórios. Como resultado desse processo coletivo, os mobilizadores consolidaram 87 propostas, estruturadas em 10 eixos, que servirão como base para as estratégias de incidência política da conferência: Cultura e Lazer; Saúde Mental; Saneamento Básico; Habitação; Viver com Saúde e Sistema único de Saúde (SUS); Participação e Controle Social no Sistema único de Saúde (SUS); Comunidades Tradicionais como Lugares de Cuidado; Direitos Culturais nos Territórios; Construção de Memória e Encontro de Gerações; e Combate à Violação de Direitos.
Projetos
O projeto Cria Saúde é voltado para a formação de agentes populares e para o fortalecimento da participação comunitária na produção de conhecimento e na construção de soluções em saúde. Baseado nos conceitos de Vigilância Popular em Saúde e Geração Cidadã de Dados. Já o Plantando Saúde promove a integração entre saberes tradicionais e promoção da saúde, valorizando práticas populares presentes em comunidades de terreiro e quilombolas. O projeto incentiva o cultivo de alimentos e ervas medicinais, fortalecendo a soberania alimentar e a utilização de práticas naturais de cuidado. E o projeto Impulso de Gerações atua em territórios populares do Rio de Janeiro com ações culturais e formativas que valorizam experiências locais e iniciativas criativas desenvolvidas pelos moradores para a construção coletiva de soluções para os territórios.

