Por Alana Santo, sob supervisão de Dalila Brito
Encontro abriu a Semana de Pesquisa e Inovação do Oceano Atlântico 2026, destacando o protagonismo de comunidades costeiras como a Ilha de Maré
Na segunda-feira (13/04), ocorreu em Salvador, no bairro do Rio Vermelho, o “Bate-papo Atlântico: Ciência e Comunidades”. O evento foi realizado através da parceria entre a Fiocruz Bahia, a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema), organizado pelo Okeano CSA e apoiado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O encontro marcou a abertura da Semana de Pesquisa e Inovação do Oceano Atlântico 2026, com foco na troca de conhecimentos entre pesquisadores, poder público e sociedade civil. O objetivo foi debater os desafios ambientais e a construção de soluções coletivas, integrando a Academia à realidade das comunidades locais.
Foram oradores da atividade, a pesquisadora da Fiocruz Bahia, Nelzair Vianna, a representante da Unidade Básica de Saúde de Ilha de Maré, Maristela Lopes; Camillo Ferreira, pesquisador do Laboratório de Bioinformática e Ecologia Microbiana (BIOME) da Universidade Federal da Bahia; Ellen Maria Portela, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino Crítico de Ciências (NEPECC); e o oceanógrafo e modelador numérico no +ATLANTIC CoLAB, Francisco Campuzano.
A mediação do debate foi realizada pela pesquisadora da Fiocruz Bahia, Valéria Borges, que descreveu o evento como um potente espaço de conexão entre saberes. “Ao aproximar pesquisadores e mulheres líderes de comunidades tradicionais, o evento destacou que a preservação dos oceanos também se constrói a partir das vivências, práticas e vozes desses territórios”, disse.
Durante a programação, a também pesquisadora da Fiocruz Bahia, Nelzair Vianna, apresentou a palestra “Planet&AR: Aprendendo a cuidar em territórios e maretórios à beira da crise climática”. A apresentação abordou a saúde planetária com base na realidade da Ilha de Maré, território onde Nelzair desenvolve um estudo em parceria com a comunidade local.
“A palestra destacou como as comunidades historicamente vulnerabilizadas vivenciam, de forma desigual, os impactos da crise climática, como a elevação do nível do mar e a invisibilidade social”, explicou Nelzair. Segundo a pesquisadora, o Planet&AR é uma experiência transdisciplinar que articula ciência, escuta e arte para produzir conhecimento voltado à justiça climática e à saúde.
Representando a Unidade Básica de Saúde da Ilha de Maré e atuando como coautora da reportagem em quadrinhos “Marisqueiras“, Maristela Lopes destacou a necessidade de incluir os saberes tradicionais no debate científico e ambiental. “Ser marisqueira é ter as mãos na lama e o coração no mar. Que todos tenham entendido que nosso povo também sabe fazer ciência para garantir a preservação do nosso bem maior que é o mar”, ressaltou, reforçando a atuação das mulheres da comunidade na defesa do território.
Fórum Pan-Atlântico
A agenda de eventos sobre o oceano seguiu até o dia 17 de abril, em Salvador. Na quarta (15) e quinta-feira (16), acontece o Fórum Pan-Atlântico 2026, no SENAI CIMATEC.
O evento é visto como o principal encontro anual da Aliança de Pesquisa e Inovação do Oceano Atlântico (AAORIA), e reúne especialistas de diferentes países para discutir a cooperação científica e avançar nos compromissos da Declaração All-Atlantic. A programação inclui painéis sobre economia azul sustentável, resiliência costeira, segurança alimentar e monitoramento ambiental.


