Camarões servem no Amapá como bioindicadores de contaminações e rotas de garimpo ilegal

Foto John Cameron / Unplash

Escolha dos camarões é estratégica para os achados

A análise dos tecidos e da carapaça de camarões possibilita calcular metais e mapear as rotas de contaminação, pois são altamente bioacumuladores. Por isso, têm sido utilizados em pesquisas da Universidade do Estado do Amapá (Ueap), a fim de auxiliar no mapeamento de contaminantes em áreas de garimpo ilegal nesse estado, entre os quais metais pesados como mercúrio, chumbo e arsênio.

Os achados preocupam bastante, porque o crustáceo é um dos principais alimentos da população ribeirinha do Amapá. A cadeia produtiva de camarões passa por crise em alguns pontos do Amapá, devido à redução de estoques naturais.  A degradação ambiental, as mudanças climáticas e a sobrepesca aparecem como principais razões disso.

A escolha dos camarões é estratégica. Apesar de pequenos, eles são sensíveis à contaminação e absorvem diferentes tipos de poluentes. Como se reproduzem rápido, também são fáceis de capturar. As coletas de camarões ocorrem em diferentes pontos dos rios do Amapá. Nas análises de laboratório, há etapas de preparação rigorosas e equipamentos de alta precisão. Esses processos ajudam a garantir a segurança alimentar dos consumidores e a monitorar a poluição ambiental.

Indígenas contaminados por mercúrio

Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena do Amapá e Norte do Pará (Dsei) e apresentado no final de 2024, apontou altos níveis de contaminação por mercúrio entre povos indígenas do município de Oiapoque, no extremo norte do estado. Metade pesquisada apresentou níveis iguais ou superiores a 6,0 mg/kg, índice considerado elevado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A contaminação de indígenas por metais pesados no Amapá, especialmente por mercúrio, está diretamente ligada à expansão do garimpo ilegal de ouro na região amazônica, atingindo grande quantidade de peixes.  

Saiba mais em:

https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2026/07/20/pesquisadores-mapeiam-garimpo-ilegal-no-ap-por-meio-da-presenca-de-metais-pesados-em-camaroes.ghtml