Pesquisadora da USP apresenta, na ROW, as colinas coralinas, tesouro recém-descoberto no mar brasileiro

Extensos recifes de coral e algas coralinas recém-descobertos na Cadeia Vitória-Trindade, batizados de “colinas coralinas”, foram o tema da palestra da divulgadora científica Érica Assunção Araújo, do Centro de Biologia Marinha da USP (CEBIMar/USP), na tarde de sexta-feira (18/9), no palco Mar Aberto da Rio Ocean Week (ROW), no Museu do Amanhã. Na apresentação “Colinas Coralinas: um tesouro recém-descoberto no fundo do mar brasileiro”, ela detalhou as duas etapas da Expedição Científica à Cadeia Vitória-Trindade, realizadas em julho de 2025 e entre março e abril de 2026, esta última com 20 dias de atividades, sob coordenação de pesquisadores do CEBIMar/USP e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e com participação de outras instituições.

As colinas coralinas ficam em uma área de extrema biodiversidade na Cadeia Vitória-Trindade, formação única no planeta composta por uma cordilheira de montanhas com mais de mil quilômetros de extensão. A Cadeia Vitória-Trindade se estende da costa central do Brasil até a Ilha da Trindade e o arquipélago Martim Vaz, situados a cerca de 1.140 km do litoral do Espírito Santo. O ecossistema subaquático, com recifes de até 60m de altura, abriga a maior biomassa de peixes do Atlântico, segundo a palestrante, e tem papel vital na absorção de carbono e na preservação de espécies ameaçadas. Na ocasião, sua biodiversidade foi mapeada por pesquisadores de universidades brasileiras em parceria com a Academia de Ciências da Califórnia, nos Estados Unidos. A importância dessas formações se explica também pelo fato de que cerca de um quarto da biodiversidade marinha está associado aos ecossistemas de recifes de coral, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

De acordo com Araújo, que também é médica veterinária, as colinas coralinas são estruturas formadas por algas calcárias que contêm carbonato de cálcio, ficam rígidas e crescem até 70 metros, formando ambiente extremamente complexo e altamente produtivo, devido às correntes locais. Existe, segundo ela, a necessidade de investimento científico e engajamento social para garantir a conservação desse ‘oásis’ estratégico para o equilíbrio ambiental global.

“Diversas instituições buscam apoio público para transformar a região na maior reserva biológica marinha do Brasil, visando proteger seu vasto potencial biotecnológico e farmacêutico”, disse.

Érica Araújo, divulgadora científica do Centro de Biologia Marinha da USP. Foto: Carlos Gustavo Trindade/EFA 2030

Ameaça à preservação das Colinas Coralinas

A divulgadora alerta para a necessidade de preservação dos bancos de rodolitos das colinas (constituídos por algas altamente especializadas em captura de carbono, auxiliando na diminuição do efeito estufa, e formadores de grandes áreas onde determinadas espécies vivem e se desenvolvem no fundo do mar), em especial o banco Vitória e o banco Davis, único lugar em que se consegue mergulhar e chegar no topo das montanhas. Empresas mineradoras querem explorá-los por causa dos rodolitos (estruturas rígidas e rosadas são formadas por algas calcárias vivas aglomeradas, que servem de abrigo e berçário para muitas espécies oceânicas). Os rodolitos interessam à mineração principalmente porque são estruturas biogênicas de algas calcárias que acumulam carbonato de cálcio, podem estar associados a depósitos de interesse mineral, e pelo potencial de recursos marinhos.

“Tudo o que acontece lá afeta diretamente a nossa vida em terra firme. Além disso, há um enorme potencial biotecnológico e farmacêutico em centenas de espécies de esponjas e corais, o que reforça a necessidade de proteger a área, antes que seja devastada”, alerta.

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