Foto G-Stic
3.0 da conhecida Conferência de tecnologia e inovação busca pensamento sistêmico e soluções práticas para desafios como mudanças climáticas, desigualdade social e outros da Agenda 2030, da ONU, com destaque para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14) – Vida na Água
A G-Stic de 2026, 9ª Conferência Global de Tecnologia Sustentável e Inovação G-Stic (Global Sustainable Technology and Inovation Conference), referência internacional no debate que relaciona Ciência Tecnologia e Inovação (CT&I) e a Agenda 2030, este ano está num formato bastante diferente, pois o evento, que acontecerá em 8 e 9 de junho, no Parlamento Flamengo, em Bruxelas, na Bélgica, passa por processo de reestruturação para grande e esperada inovação.
Foto Vlaams Parlament

Plenário do Parlamento Flamengo durante evento
Desde a edição de 2019, a Fiocruz participa do G-Stic, por meio da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030/Fiocruz), como coorganizadora, junto de outros(as) participantes, entre os quais este ano, o Council for Scientific and Industrial Research (CSIR), uma das principais organizações de pesquisa científica e tecnológica da África do Sul.
Na atual edição contará, mais uma vez, com Paulo Gadelha, coordenador da EFA 2030, que debaterá na plenária de encerramento “Integrando insights – Caminhos para o G-STIC 3.0”, e será o moderador nas sessões “Oceanos e Saúde para um Futuro Resiliente e Sustentável” e “G-STIC e a relação entre clima e saúde: impulsionando soluções em um cenário geopolítico em transformação”, todas na tarde do dia 8. Nessa última terá palestras de DaniellyMagalhães, pesquisadora da EFA 2030/Fiocruz, e de Luiz Paulo Assad, professor do Departamento de Metereologia da UFRJ.
O que muda
A mudança decorre de nova fase estratégica da comunidade global denominada G-Stic 3.0 que, de acordo com os organizadores, deixa de se concentrar apenas na apresentação de tecnologias inovadoras, para que efetivamente elas acelerem os ODS, da ONU, com ênfase em cinco pontos. Isso está bem expresso no tema dessa Conferência: “Alinhando Inovação, Política e Finanças para o Impacto nos ODS” e no lema dela: “Inovação para impacto”.
A G-Stic 3.0 tem foco em pensamento sistêmico e soluções práticas para desafios como mudanças climáticas e desigualdade social, e enfrentará o difícil desafio de alinhar melhor a inovação, a política e as finanças, e conseguir impacto para o mundo real, por meio da conexão ciência, tecnologia, governança e financiamento.
Os cinco pontos concernentes à mudança são os seguintes:
● Pensamento sistêmico (systems thinking) para enfrentar problemas interligados;
● Impacto real e mensurável das inovações;
● Implementação em larga escala de soluções já existentes;
● Maior alinhamento entre inovação, políticas públicas e financiamento;
● Cooperação entre setores como saúde, energia, água, alimentos, cidades, clima e finanças.

Por causa da mudança, a Conferência, em 2026, volta a ocorrer em Bruxelas, onde nasceu em 2017, e a realizou também em 2018 e 2019. Devido à pandemia, em 2020 e 2021 limitou-se a edições virtuais, e passou a ter caráter mais global quando aconteceu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (2022). Depois, foi sediada no Rio de Janeiro (2023), Nova Délhi, na Índia, (2024) e Pretória, na África do Sul (2025). A VITO, organização independente de pesquisa e tecnologia da Bélgica voltada para tecnologias limpas e desenvolvimento sustentável, é sua anfitriã desde o começo.
Comparação de fases:
Fases anteriores:
● Ênfase em tecnologias e soluções inovadoras
● Discussão de tecnologias para os ODS
● Abordagem mais setorial
● Foco na inovação
G-Stic 3.0
● Ênfase na implementação e no impacto
● Integração entre tecnologia, políticas e financiamento
● Abordagem sistêmica e intersetorial
● Foco na transformação prática e escalável
Sessão plenária “Integrando insights – Caminhos para o G-STIC 3.0”
A sessão ajudará a moldar as prioridades, parcerias e caminhos que guiarão o G-Stic 3.0 e suas iniciativas futuras. As ideias ao longo do dia servirão de base para que os palestrantes identifiquem as barreiras, prioridades e condições mais críticas para acelerar a transformação sustentável em um mundo cada vez mais interconectado. Gadelha participará nesse debate.
Desde o alinhamento de ecossistemas de inovação, marcos políticos e mecanismos financeiros até o fortalecimento da capacidade de implementação e da cooperação internacional, a discussão explorará o que é necessário para ir além de projetos-piloto, fragmentação e soluções isoladas, rumo a um impacto sistêmico real em clima, energia, água, alimentação, saúde, cidades e indústria.

Paulo Gadelha, coordenador da EFA 2030, contribuirá em sessão plenária com ideias para o G-Stic 3.0
Sessão ‘Oceanos e Saúde para um Futuro Resiliente e Sustentável’
Nessa sessão, a qual Gadelha moderará, será evidenciado o ODS 14, o mais carente de financiamentos entre os 17 ODS da ONU, conforme dados de relatório do “SDG14 Financing Landscape Scan”, elaborado para o World Economic Forum, talvez pelo pouco entendimento do quanto é importante a relação entre a saúde dos oceanos e a saúde humana. Por isso, será dedicado muito tempo à abordagem de Uma Só Saúde Azul, incluindo explicitamente os ecossistemas marinhos e aquáticos como impulsionadores da saúde humana, animal e ambiental.
Através de exemplos concretos impulsionados pela tecnologia, que já estão gerando impactos em diferentes regiões, a discussão examinará como a ciência e as inovações oceânicas podem passar da pesquisa para a implementação em larga escala. Na sessão também será exposto que estruturas internacionais, como o Tratado do Alto-Mar, o Pacto Oceânico da UE e a Missão da UE “Restaurar Nossos Oceanos e Águas até 2030”, podem ajudar a acelerar ações para oceanos e sociedades mais saudáveis.
Sessão ‘G-STIC e a relação entre clima e saúde: impulsionando soluções em um cenário geopolítico em transformação’
Essa sessão, também com moderação de Gadelha, explorará como a CT&I pode ajudar a acelerar o progresso em direção ao Objetivo Global de Adaptação (OGA), fortalecendo a resiliência dos sistemas de saúde, apoiando uma melhor tomada de decisão e possibilitando soluções escaláveis e relevantes localmente. Também analisará como a iniciativa G-Stic pode fomentar a colaboração intersetorial e apoiar a cocriação e a ampliação de soluções impactantes. Tanto o OGA como o Plano de Ação de Saúde de Belém serão expostos como exemplos de resiliência para o meio ambiente.
Os palestrantes mostrarão que a atual situação geopolítica intensifica os desafios interligados das mudanças climáticas e da saúde. Riscos relacionados ao clima, como estresse térmico, doenças infecciosas e interrupções nos sistemas de saúde, estão aumentando em todo o mundo, afetando desproporcionalmente as populações vulneráveis e retardando o progresso em diversos ODS, enquanto os esforços de adaptação lutam para acompanhar o ritmo.
Abaixo, tônica geral das demais sessões:
As plenárias tratarão do alinhamento, inovação, políticas públicas e financiamento para o Impacto dos ODS, na palestra de abertura; fortalecimento do ecossistema global de inovação para os ODS; promoção do livre fluxo de inovação para acelerar a preparação para investimentos de organizações de pesquisa e desenvolvimento.
Nas sessões temáticas terão lugar assuntos como IA; governar a inovação em um mundo fragmentado; fortalecimento do desenvolvimento em organizações de pesquisa e especializadas nisso; G-Stic e a relação entre clima e saúde; cooperação internacional; economia azul; desenvolvimento de empreendimentos; nexo água-energia-alimentos-meio ambiente.
Número de sessões
Todas as sessões, 5 plenárias e 10 para desenvolver assuntos específicos, acontecerão em um único dia: 8 de junho. A programação conta com palestrantes das áreas de política, indústria e pesquisa, além de sessões interativas por meio de painéis. O G-Stic reúne formuladores de políticas, inovadores e líderes para acelerar o desenvolvimento sustentável, algumas vezes com cocriações.
A Conferência terminará no dia seguinte com evento paralelo para conectar pesquisadores, startups, investidores, empresas e formuladores de políticas em torno de soluções escaláveis em sistemas agroalimentares sustentáveis, com forte foco em comercialização, parcerias e implementação no mercado.

