Especialistas alertam para o impacto da crise climática na epidemiologia da hantavirose

Um encontro promovido pela Fiocruz discutiu o panorama atual da hantavirose a partir do surto recente registrado em um navio de cruzeiro que saiu da Argentina. Especialistas destacaram a relação entre mudanças climáticas, aumento da população de roedores e maior risco de transmissão do hantavírus, lembrando que um episódio de El Niño nos anos 1990 esteve associado à primeira emergência sanitária causada pelo vírus nos Estados Unidos. Embora as mudanças climáticas não criem novos hantavírus, elas podem ampliar a distribuição dos reservatórios e favorecer o contato entre roedores infectados e seres humanos.

A vigilância foi apontada como prioridade, já que ainda não há vacinas ou tratamentos específicos contra a doença. No Brasil, onde os casos ocorrem principalmente em áreas rurais, a Anvisa registrou no fim de 2025 um teste rápido desenvolvido por Bio-Manguinhos, IOC/Fiocruz e UFRJ, capaz de detectar a infecção em até 20 minutos. O diagnóstico precoce é considerado essencial diante da gravidade da síndrome pulmonar por hantavírus, comum nas Américas, e da dificuldade inicial de diferenciar seus sintomas dos de outras viroses.

Notícia original: https://agencia.fiocruz.br/especialistas-alertam-para-o-impacto-da-crise-climatica-na-epidemiologia-da-hantavirose