Um estande da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030 (EFA 2030) na Rio Ocean Week (ROW) 2026 aproximou o público das pesquisas sobre a poluição que afeta animais marinhos. No primeiro dia do festival (17/9), o espaço atraiu crianças e adolescentes com a exposição de peças de tubarões e arraias promovida pelo Hauser-Davis Research Group, que também desenvolve trabalhos relacionados à Agenda 2030.
Localizado na área de estandes do festival, no Cais do Porto, ao lado do Museu do Amanhã, o espaço ofereceu atendimento ao público, folders, vídeo e um totem com informações sobre o trabalho em saúde do oceano desenvolvido pela Fiocruz e por instituições parceiras. O tema do estande foi “O oceano é o pulmão azul do planeta. Cuidar dele é cuidar de nós”. A proposta se insere na abordagem de Uma Só Saúde Azul, que amplia o conceito de Uma Só Saúde ao reconhecer as relações entre a saúde dos oceanos, dos ecossistemas, dos animais e das populações humanas.
Crianças e adolescentes puderam manusear as peças e receberam explicações sobre o trabalho de ecotoxicologia do Laboratório de Avaliação e Promoção da Saúde Ambiental (LAPSA/IOC/Fiocruz). A ecotoxicologia estuda os efeitos de substâncias químicas, naturais ou artificiais, sobre os organismos vivos.

Foto Ísys Bueno / EFA 2030/Fiocruz
Os visitantes também aprenderam sobre contaminação microbiológica e contaminantes de preocupação emergente (CECs), substâncias ou materiais que podem representar uma ameaça à saúde humana ou ao meio ambiente. Em suas pesquisas, o LAPSA detectou seis classes de compostos derivados de petróleo nesses animais. Em um trabalho com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), identificou também cocaína em tubarões na costa do Rio de Janeiro.
Os animais expostos são predadores de topo e podem servir como bioindicadores das condições do ambiente em que vivem. A bióloga e pesquisadora Rachel Ann Hauser-Davis, do LAPSA/IOC/Fiocruz, conversou com os visitantes e explicou que o Hauser-Davis Research Group costuma realizar exposições desse tipo para despertar o interesse do público pelas pesquisas voltadas à proteção do oceano.
Para Hauser-Davis, a repercussão da exposição foi “extremamente positiva”,

Painel digital apresentou iniciativas em oceano e saúde
Assim como em 2025, a EFA 2030 disponibilizou um totem para facilitar o acesso do público a informações sobre saúde, clima, sustentabilidade, oceano e Agenda 2030. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas metas estiveram entre os conteúdos que mais despertaram interesse.
O material interativo reuniu links e fotos em três eixos:
- Vida Marinha,
- Territórios, e;
- Pesquisa e Vigilância.
O totem interativo apresentou 24 resultados de oito estudos em saúde

- Vigilância e Prospecção na Antártica (FioAntar) – Iniciativa estratégica voltada à vigilância de microorganismos antárticos e à prospecção de recursos com potencial biotecnológico.
- Efeitos de Contaminantes persistentes e petrogênicos na saúde e resiliência de arraias e tubarões (ELASMOTOX/IOC) – Investiga como a poluição afeta a saúde de tubarões e arraias da costa brasileira. A pesquisa analisa metais e outras substâncias que se acumulam no corpo desses animais e podem danificar células e órgãos.
- Aves Marinhas e Saúde dos Oceanos: um Indicador Sintético de Qualidade Ambiental (IOC) – As aves marinhas são sentinelas da saúde dos oceanos: acompanhar sua saúde revela mudanças que também afetam outros animais, o ambiente e as pessoas.
- Onde o território adoece: saneamento, desigualdades socioambientais e seus impactos na saúde, educação e ambiente no estado do Rio de Janeiro – Com dados dos 92 municípios fluminenses, o estudo mapeia a sobreposição entre precariedade sanitária e alta incidência de arboviroses, leptospirose e diarreias, evidenciando também seus impactos na saúde, no rendimento e na permanência escolar. Aborda ainda como o descarte inadequado de resíduos alcança o oceano, transforma-se em microplásticos e pode retornar à população pela cadeia alimentar.
- SISS-Geo – Sistema de Informação em Saúde Silvestre (Pibss Fiocruz) – O SISS-Geo é gratuito, funciona offline em locais remotos e possibilita que qualquer pessoa com um celular registre animais silvestres encontrados na natureza, em áreas urbanas ou rurais. O georreferenciamento das imagens permite correlacionar registros com mudanças de uso da terra, desastres e alterações climáticas, com alertas de animais doentes.
- O que a água pode nos contar? Vírus como indicadores da saúde ambiental da Baía de Guanabara (IOC) – Em bacias urbanizadas que drenam para a Baía de Guanabara indicadores bacterianos, como E. coli e enterococos, nem sempre refletem a presença de vírus entéricos. O projeto investiga vírus entéricos humanos como ferramenta de vigilância em saúde ambiental.
- Observatório de Territórios Saudáveis e Sustentáveis da Bocaina RJ e SP – Na Bocaina, entre Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba, a Fiocruz e o Fórum de Comunidades Tradicionais (FCT) constroem com comunidades indígenas, caiçaras e quilombolas soluções de saúde, saneamento, pesca e turismo de base comunitária.
- Territórios Saberes e Justiça Socioambiental (VPAAPS) – O estudo avaliou dois componentes do saneamento em seis territórios tradicionais da Serra da Bocaina (RJ e SP) onde o OTSS atua: a qualidade da água usada para consumo e o desempenho de sistemas de saneamento ecológico.

